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Metodologia Furions e ADF – Meu treino de força

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Newton nos ensinou que Força = Massa x Aceleração e também sabemos (sabemos? Puxa, eu mal lembrava disso…) que Potência = Força x Velocidade.

Por que eu começo esse texto falando sobre isso? Porque eu gostaria de justificar a opção pelo treino de força que fazemos para melhorar os nossos resultados.

Eu não sei se já comentei com vocês mas há 2 anos e meio atrás, quando eu comecei a praticar Muaythai, eu não conseguia fazer UMA flexão sequer (nem apoiada com os joelhos no chão). Tampouco fazer UM abdominal.

Eu era uma pessoa então que, definitivamente, precisava desenvolver força.

Não é mais segredo para ninguém como acontecem os treinos de Muaythai na Tailândia: Corrida, corda, sombra, aparador, sparring, saco, repetição, repetição, repetição, flexão, abdominal, barra.

Querendo ou não, todos esses exercícios acabam trabalhando os músculos e desenvolvendo força e potência também.

Mas até mesmo na Tailândia, em muitos ginásios, foram implementados treinamentos integrados para competidores. Eu mesma vi alguns treinos desses no Sitsongpeenong, campo que eu treinei em Bangkok.

Já ouviram falar neste treinamento? Basicamente são exercícios que usam o corpo de forma integrada, ou seja, trabalham mais de um grupo muscular por vez, diferente de um aparelho de academia que costuma trabalhar de forma localizada.

No Muaythai, a força do soco não vem só do punho, mas sim da quantidade de energia que o lutador pode colocar a partir da ação de rotação de quadril, do tronco e do braço, certo?

O mesmo acontece com o chute.

O corpo produz a potência na movimentação. Para otimizar então essa rotação que desenvolve a potência, por que não trabalhar as musculaturas de forma integrada e de forma que valorize sua velocidade?

Pesquisando mais sobre o assunto, conheci Don Heatrick. O pensamento dele vai de encontro com o que desenvolvemos, mas neste texto ele é mais específico ainda se tratando do core.

Segundo ele, o core é o centro do nosso corpo. É o conjunto de músculos que suportam o complexo quadril-pélvico-lombar responsável pelo nosso equilíbrio, pela postura e geração de força do tronco em qualquer movimento.

Para vocês terem uma ideia, ficar em pé com apenas uma base de apoio já exige estabilidade da musculatura do core. Imagina num movimento rotacional como em um chute circular.

Lembre-se: Muaythai é força, mas também é equilíbrio e postura.

O que o texto defende é que se você não trabalhar o core, principalmente de forma diagonal, ligando o ombro direito até o quadril esquerdo, e vice-versa, você nunca vai alcançar seu potencial verdadeiro como lutador de Muaythai porque não vai conseguir colocar toda a força que poderia.

Um exercício de desenvolvimento de força no core trabalhando em forma diagonal é o Turkish Get Up:

E um exemplo de exercício que trabalha a potência desta forma é a famosa marretada no pneu:

Tá ficando claro, gente? A questão do trabalho do corpo em conjunto para que a velocidade do movimento junto com a força musculatura se transforme em potência?

Entendendo tudo isso, vamos falar sobre o meu treino de força.

A minha equipe, a Furions Fight Team, optou por seguir a metodologia Arte da Força (ADF) que utiliza principalmente kettlebells em seus exercícios.

Kettlebell

Neste artigo da ADF, podemos entender que cada modalidade esportiva necessita de mais de uma capacidade motora tais como: potência, velocidade, agilidade, coordenação, força, flexibilidade. Nesta lista, é fácil identificar que usamos todas elas.

Para desenvolver a potência é interessante trabalhar a energia dinâmica através da extensão do quadril. Um dos exercícios que explora bem essa energia é o swing.

Vou tentar explicar o porquê. Repare no movimento: há uma extensão do quadril de forma integrada que se baseia numa repetição alongamento-encurtamento que faz com que os músculos trabalhados atuem como elásticos para gerar mais velocidade em movimentos de golpes e assim, mais potência.

Algumas pesquisas indicam que se você trabalhar determinada competência por até umas 2 semanas, você não perde o que adquiriu naquela que está trabalhando menos. Por isso meu treinador Thiago Petrin pensa meu treino da seguinte forma: 2 semanas de treino de força rápida, 2 semanas de treino de força lenta.

Exercícios de força rápida, como o próprio swing, desenvolvem  força explosiva e potência muscular.

Exercícios de força lenta, como o nome já diz, trabalham o movimento mais lento e com maior peso, desenvolvendo resistência muscular. Press, agachamento e remada são exemplos.

Trabalho esses exercícios todos os dias, mas meu foco de treino de força é segunda, quarta e sexta: treino moderado, fraco e forte respectivamente.

Quando estamos mais próximos de uma competição, ele avalia o que tem que ser priorizado no momento e assim deixar o treino mais específico ainda: treinar mais resistência muscular ou mais velocidade e assim vai.

O Thiago Petrin, no começo de sua carreira como lutador, fazia muito mais treinos técnicos e aeróbicos tradicionais para desenvolver seu estilo de luta, mas percebeu que com esta metodologia, em uma luta é mais fácil causar dano no adversário utilizando menos golpes. Além de achar o treino menos tediante do que usar os ferros e aparelhos de musculação.

Por fim, minhas considerações sobre este treinamento que estou sujeita há um ano: acredito que fez toda diferença no meu desenvolvimento de força não só para golpear, mas também para ter uma base mais equilibrada e um corpo mais forte e estruturado para suportar os golpes recebidos.

Porque outra coisa que aprendi nesse tempo de Muaythai é que não tem jeito, em uma luta pelo menos um golpe vai entrar.

Então esteja forte.

Seja forte.

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