Blog do Tigrão, Sobre Treinos

Quais as diferenças entre o formato de treino do Brasil e da Tailândia?

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Para falar de treinos de Muaythai no Brasil, precisamos antes pensar no formato de aulas que temos aqui e parar um pouco de querer comparar com o formato tailandês.

Quanto se paga?

Na Tailândia, um aluno gringo paga muito caro pela mensalidade, cerca de 8 a 15 mil bahts só pelo treino (800 a 1500 reais), ou até mais. Por isso tem sempre treinadores à disposição, treinos longos, luvas para sparring e caneleiras à disposição, material bom, ringue, etc. É praticamente um treino particular, onde se treina e aprende muito.

Sempre tem luta para quem for atleta/turista e quiser reaver uma parte do dinheiro gasto com a mensalidade. Além disso, o atleta estrangeiro que resolver morar lá pode fazer da luta seu meio de vida.

Já aqui no Brasil, geralmente temos os treinos coletivos dentro de academias de musculação, com pacotes em torno de 100, 150 reais e uma só pessoa comandando a aula toda. Não tem material extra (cada um leva sua luva e caneleira), e se você treinar num CT de verdade e tiver acesso a um ringue, agradeça ao seu professor – e muito, pois alguma conta de casa ele deixou de pagar…

Parceiro de treino não é treinador!

Como é praticamente impossível o responsável pelo treino segurar os aparadores e dar aquela atenção para todos – e nem teria muito sentido, uma vez que 99% dos alunos é praticante, e não atleta – a opção viável é trabalhar alunos como como parceiros: revezando segurar o aparador pela quantidade de rounds ou combinações. Essa opção não é só abraçada pelos brasileiros, mas pela maioria das academias de Muaythai espalhadas pelo mundo, com foco em aulas comerciais. Então, somente quando o aluno começa a se desenvolver e querer lutar é que se tem um treinador dedicado a ele.

Duração do treino.

A cultura dos tailandeses não é apressada. Eles não parecem ter essa preocupação de que “tempo é dinheiro”, então fazem o trabalho bem feito independente do tempo que leve. Mas dois treinos por dia (3 a 4 horas cada) não são sustentáveis no Brasil.

Enquanto lá existe uma cultura forte de luta, com eventos todo dia, e uma grande base de apostadores que sustenta o esporte, aqui no Brasil o aluno trabalha, cuida de tudo na sua vida e depois vai para academia em busca de saúde e qualidade de vida. Alguns poucos vão em busca de uma defesa pessoal efetiva, e desses, um ou dois estão dispostos a ser atleta. É totalmente o inverso.

Então, os treinos comuns são de uma hora para os alunos comerciais, e os atletas treinam de uma hora e meia a 3 horas, normalmente uma vez por dia. Não tem comparação, aqui é outro mundo onde o atleta não pode viver com a bolsa que ganha das lutas , e normalmente tem que trabalhar fora do que ama e se virar pra treinar.

Importante dizer que nem sempre quantidade é qualidade, então aqui no ocidente o treino deve ser mais estudado para conseguir fazer mais com menos tempo (*e que isso não seja desculpa pra inventar escrotices).

As exceções brasileiras.

Hoje as redes sociais são uma vitrine. Então observe o trabalho das equipes que se destacam no cenário do Muaythai profissional brasileiro e veja como eles treinam. Basicamente os treinos são de duas horas de duração pra cima, os atletas ou fazem um treino só (muito bem feito) com orientação total do treinador, ou fazem dois treinos sendo um treino forte de Muaythai e outro mais fraco, como treino de musculação moderado.

Independente do quê e de como essas equipes fazem, sempre existe dentro delas uma entrega e doação enorme dos treinadores envolvidos – ninguém faz campeões passando sequência e ficando sentado olhando o celular. Os caras que eu sigo cuidam dos atletas como se fossem filhos e fazem de tudo para que seus alunos comerciais e de personal tenham acesso ao Muaythai verdadeiro (e não comprem gato por lebre).

Então, atitude é a chave. Não só o treinador, mas cada um da equipe deve tentar ajudar a melhorar o treino seja praticante ou atleta. Só assim se constrói uma equipe forte com atletas vencedores, seja no Brasil ou na Tailândia.

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